Normalmente cães possuem poucos problemas na hora do parto. No entanto, cadelas com excesso de peso, nervosa, idosa tem mais dificuldades em parir os filhotes. Até mesmo uma mãe de primeira viagem pode não saber o que fazer ou o que esperar e acabar se atrapalhando. Se o canal pélvico for muito pequeno, se as contrações forem fracas ou pararem ou se o filhote estiver numa posição difícil ou for muito grande o parto pode ser interrompido. Isso pode não apenas tornar-se perigoso para os filhotes que podem morrer como pode ser doloroso ou arriscado para a mãe.

O processo do parto para cães ocorre em fases e o ritmo do tempo é tudo. A primeira fase é a da inquietação, da respiração ofegante, talvez vômitos ou calafrios e a busca de um ninho para poder parir. As contrações se iniciam na segunda fase, e a mãe deverá ter seu primeiro filhote no espaço de tempo de uma hora após a primeira contração forte. Uma placenta do tamanho de uma bola de golfe translúcida, âmbar, emerge primeiro, depois se rompe para liberar o liquido amniótico, e o primeiro filhote deverá nascer em cerca de uma hora. As cadelas podem levar 24 horas do primeiro estágio ao nascimento de todos os filhotes. Depois que as contrações regulares e freqüentes tiverem inicio, ou se houver liquido amniótico, ou se ambas as coisas acontecerem, normalmente levará de quatro a seis horas até que todos os filhotes tenham nascido. A mãe deve descansar entre os nascimentos.

Na maioria dos casos você pode usar os primeiros socorros para ajudar a nova mãe a ter um parto bem sucedido se ela começar a apresentar problemas. Mas se sua cadela estiver fraca, desanimada, morder os flancos por estar com dor, entrar em trabalho por cerca de uma hora sem parir e ainda estiver tendo contrações regulares e freqüentes, ou se houver uma eliminação vaginal negra, amarela ou sangrenta, cheirando a podre, ela precisará de imediato socorro medico. [o cheiro da eliminação é especialmente importante por haver descarga com colorações semelhante num nascimento normal].

 

Material medico necessário

[list type=”tick”][li]Termômetro clinico [/li] [/list]
[list type=”tick”][li]Tesoura com pontas arredondadas [/li] [/list]
[list type=”tick”][li]Pano seco ou toalha seca [/li] [/list]
[list type=”tick”][li]Lubrificante (vaselina ou K-Y gel)[/li] [/list]
[list type=”tick”][li]Pera de sucção [/li] [/list]
[list type=”tick”][li]Luvas descartáveis[/li] [/list]
[list type=”tick”][li]Pinça hemostática ou linha [/li] [/list]
[list type=”tick”][li]Álcool[/li] [/list]
[list type=”tick”][li]Gaze em rolo[/li] [/list]
[list type=”tick”][li]Povidine[/li] [/list]
[list type=”tick”][li]Água morna[/li] [/list]
[list type=”tick”][li]Substituto de leite[/li] [/list]
[list type=”tick”][li]Mamadeiras[/li] [/list]
[list type=”tick”][li]Conta-gotas ou seringa sem agulha[/li] [/list]
[list type=”tick”][li]Garrafas plásticas de refrigerante limpas [/li] [/list]
[list type=”tick”][li]Panos de prato grossos e secos[/li] [/list]

Faça isto já

Tome a temperatura de sua cadela com o termômetro lubrificado. É normal que a temperatura caia para 37ºC, 38ºC (abaixo do normal) cerca de 24 horas antes da cadela começar a parir. Uma vez que a temperatura é sabida, o primeiro filhote nascerá 30 a 90 minutos após as contrações regulares e freqüentes. A mãe também se tornará mais agitada e ofegante.

Tose o pêlo da sua cadela na extremidade posterior com tesoura ou tosador elétrico. Isso apenas não impede que a sujeira de fluídos do parto grude na pelagem, como tira os pêlos do caminho, impedindo que fique enroscado.

Garanta a privacidade dela. Um hormônio chamado oxitocina é liberado pelo cérebro e avisa o corpo do seu animal para começar o trabalho de parto e a produção de leite. No entanto, o estresse da presença de espectadores assistindo o processo pode interromper o fluxo de oxitocina e parar as contrações uterinas normais, e o que teria sido um parto normal pode vir a se transformar na necessidade de uma cesariana. A melhor maneira de garantir um parto normal é dar privacidade à mãe que está parindo, ficando o mínimo de gente possível.

Os cachorrinhos não mudam de posição durante o processo de parto. Os filhotes são muito flexíveis, portanto, um parto que comece pela parte traseira normalmente não é uma emergência. Espere para ver se ele continua saindo – é possível esperar até 15 a 20 minutos, quando o filhote já estiver no canal pélvico.

 

Situações especiais

Se não houver nascimento depois de 20 minutos de esforço?

Se a mãe fizer força e o filhote não nascer após 20 minutos, você precisará de ajuda. Antes de qualquer coisa tome providencia para que alguém em que a fêmea confie esteja lá para falar com ela e acalmá-la, de forma que ela fique tranqüila enquanto você ajuda no parto. Os recém-nascidos vêm cobertos por uma membrana molhada e podem ser muito escorregadios; enrole um pano seco e limpo em volta do filhote e faça uma ligeira pressão para tirá-lo para fora.

Imagine que o filhote esteja num formato de um C, com a cabeça de uma ponta do C e as patas traseiras na outra. Em vez de puxá-lo diretamente para fora pela área vaginal, puxe-o fazendo uma curva para baixo, em direção às patas da mãe. Calcule seu cuidadoso momento de puxar, de forma que coincida com o esforço de empurrar feito pela mãe. Se a mãe ficar de pé pode ser uma ajuda, porque a gravidade ajudara no processo.

Gire o filhote conforme você puxa, primeiro para um lado e depois para o outro, a cada contração. Um pouco de lubrificante como K-Y gel ou Vaselina, aplicando com os dedos limpos nos lábios da vulva e no filhote ajudará. Não tenha medo de machucar o filhote – os cachorrinhos são muito elásticos. Se o filhote não nascer após alguns minutos de sua cuidadosa assistência, você precisará de auxilio medico.

 

Se a mãe não remover a membrana do recém-nascido?

O pós-parto que está ligado ao cordão umbilical contém sangue rico em oxigênio, que sustenta o filhote por um período muito breve. Normalmente, a mãe começará, imediatamente a lamber todo o filhote. Isso remove a membrana envoltória e estimula o filhote a começar a respirar. No entanto, se a mãe não remover a membrana em 30 segundos, você, ao menos, precisará rompê-la e retirar do focinho do filhote para que ele consiga respirar. A membrana se juntará em torno do cordão umbilical – tome cuidado para não puxar o cordão, porque ele poderá se romper muito próximo ao corpo e provocar sangramento ou hérnia (ruptura nos músculos abdominais que permitem que os órgãos internos se projetem para fora do corpo).

 

Se o recém-nascido não começar a respirar?

Se o filhote não começar a respirar por si só num prazo de 10 a 30 segundos, pegue-o com uma toalha lima e esfregue-o por completo energeticamente, sobre o peito e nos seus dois lados. Isso estimula tanto o trabalho da circulação, quanto dos pulmões. Pare o tratamento quando o filhote começar a se mover, a respirar ou chorar e devolva-o à mãe.

Os recém-nascidos podem ter fluidos dentro da boca, do nariz, que interfere em sua respiração. Se a esfregação com a toalha não tiver efeito, use uma pera de sucção, que você usaria em uma criança pequena, para ajudar a limpar o seu nariz.

A pera de sucção pode não alcançar uma profundidade suficiente dentro do corpo. Se necessário, você pode limpar qualquer fluido dos pulmões do filhote, segurando-o de cabeça para baixo, enquanto o mantém seguramente enrolado em uma toalha. Balance o filhote com a cabeça para baixo entre suas patas, começando na altura do ombro. Repita várias vezes esse rápido movimento. Isso faz com que a gravidade ajude a eliminar o fluido dos pulmões e do trato respiratório. Preste atenção para segurar o filhote com firmeza para não deixá-lo cair de suas mãos.

 

Se a mãe não cortar o cordão umbilical?

Normalmente a mãe corta o cordão umbilical com os dentes. No entanto, algumas vezes, os filhotes são tantos que ela não dá conta de todos, ou ela se distrai e se esquece de cortá-los. Se a mãe não o fizer em dois ou três minutos, você o deverá fazer.

Para isto, você precisará de luvas medicas descartável (vendidas em farmácias) ou, pelo menos, tenha certeza de que suas mãos estejam extremamente limpas e sem ferimentos abertos.

O cordão sangrará quando for cortado com tesoura, portanto, use uma pinça hemostática (vendida em loja de produtos médicos) ou amarre com uma linha antes de cortá-lo. Você poderá manter o material imerso em álcool para esterilizar e secá-los com gaze limpa.

Coloque uma pinça hemostática ou faça o nó à 2 cm da barriguinha do filhote. Depois, use uma tesoura bem afiada para cortar o cordão umbilical do lado de fora do nó (a ordem é corpo, pinça hemostática, corte). Mergulhe a ponta do algodão em povidine para impedir a penetração de bactérias através desta região aberta. Se você usar linha, deixe amarrado até que seque o cordão umbilical e caia. O final ligado à placenta pode sangrar ligeiramente, mas a placenta vai se descolar do útero, se ainda não aconteceu e está sangrando, é normal. Contudo, se houver um gotejar constante da mãe por mais de cinco ou dez minutos, ela precisará de auxilio médico.

Se você não tiver uma pinça hemostática ou linha, depois que a placenta tiver saído, use o seu polegar e seu indicador (muito bem higienizados) para apertar o cordão umbilical a uma distancia de 2 cm do corpo do filhote. Apertando com firmeza, faça delicadamente um movimento de vai e vem com seu polegar sobre o cordão durante 30 a 60 segundos. Você não estará tentando seccionar o cordão, mas este leve movimento vai plissar e fechar os vasos sangüíneos internos, deixando-o mais fácil de cortar.

 

Cuidados posteriores

Depois que todos os filhotes já estiverem nascidos, deixe a mãe um pouco sozinha. Isso diminuirá o cansaço dela e fará com que o corpo providencie a descida do leite para amamentar os recém-nascidos. É importante que os filhotes bebam este “primeiro” leite, também chamado Colostro, pois nele é que contém todos os fatores imunológicos que os filhotes precisam para não ficarem doentes.

Se após meia hora você perceber que os filhotes estão tendo problema para conseguir leite, a mãe pode não estar conseguindo relaxar o suficiente para soltar o leite e suas mamas podem ficar empedradas. Se ocorrer, pegue uma toalha limpa molhada em água quentinha e passe delicadamente nas mamas da mãe, de modo que ela relaxe.

Se a mãe não conseguir amamentar os filhotes, você terá que providenciar leite para eles. A quantidade necessária para alimentá-los vai depender do tamanho dos filhotes e das especificações do produto, portanto, siga as orientações de seu veterinário. Verifique a temperatura do leite (morna – 37ºC a 40ºC), a mamadeira e o tamanho do bico. Existe kit amamentação vendido em Pet Shop e verifique também a posição do filhote – barriga para baixo.

Depois de nascidos os filhotes, a mãe terá uma eliminação vaginal normal por até quatro semanas, com uma cor que pode variar do vermelho ao verde, ou até mesmo preto. No entanto, se esse material tiver um odor muito desagradável ou tiver muito sangue, isso poderá ser infecção vaginal ou uterina de uma placenta retida ou de uma incapacidade dos ovários em voltar ao normal. Ela precisará de cuidados médicos o mais rápido possível e o veterinário deverá prescrever antibiótico.

No caso da mãe ter infecção vaginal, os filhotes poderão pegar bactéria do material eliminado. Os filhotes que estiverem sendo amamentados poderão sofrer diarreia  chorar, ficar debilitados ou até mesmo morrer. A providência mais importante é afastá-los da mãe, alimentá-los e mantê-los quente. Você pode encher uma garrafa de refrigerante com água quente e enrolá-la numa toalha e deixar no ninho para os filhotes manterem-se aquecidos.